A IGREJA

R. Jose Virgilio da Silva, 392 Vila Jundiai - Mogi das Cruzes - SP

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

INFORMATIVO Nº 216 - SETEMBRO DE 2020

 

O Ipê Amarelo do vizinho, Ogayoshi, este ano floriu esplendorosamente 

Bom dia a todos.

Depois de 5 meses com a porta fechada, finalmente hoje estamos realizando a cerimônia mensal, seguindo os protocolos para a segurança de todos.

O episódio da vida de Oyassama deste mês é o episódio 129, Cura de Sarna Purulenta.

Em 1883, quando Yassu, filha mais velha de Seijiro Imagawa, estava com nove anos de idade, contraiu sarna, daquela que produz pus e conhecida como sarna purulenta. Regressando a Jiba, acompanhada pelos pais foi levada diante de Oyassama, que lhe disse:

“Venha para cá.”

Adiantou-se hesitante.

“Mais para cá. Mais para cá.”

Tal foi a insistência que, finalmente, Yassu adiantou-se até chegar junto ao colo de Oyassama que, umedecendo a mão com a própria boca, passou-a acariciando três vezes por todo o seu corpo, dizendo:

“Namu Tenri-Ô-no-Mikoto, namu Tenri-Ô-no-Mikoto, namu Tenri-Ô-no-Mikoto.”

Em seguida, repetiu o mesmo gesto por três vezes e mais três vezes. Muito agradecida, Yassu sentiu algo que aqueceu profundamente o seu coração infantil.

Ao levantar-se na manhã seguinte, verificou que não havia nem cicatriz da sarna. Que milagre! Yassu pensou com seu coração infantil que Deus é realmente maravilhoso.

À medida que crescia, Yassu sentia mais intensamente a emoção por aquela grandiosa bondade de Oyassama que não se importou diante de tão nojenta enfermidade. Como yoboku dedicou-se ao Caminho, sempre recordando deste fato e procurou corresponder à bondade de Oyassama.

Imaginaram este episódio acontecendo?

A sarna purulenta, é uma sarna com pus, e só de imaginar, as vezes é uma coisa nojenta. Mas a Oyassama com o seu coração de mãe da humanidade, umedecendo a mão com a própria boca, passou acariciando por três vezes, e repetindo o gesto por 3 vezes.

Oyassama é realmente maravilhosa.

Muito bem, na realidade, hoje seria o dia em que estaríamos celebrando e comemorando os 30 anos de fundação desta igreja, com a presença do condutor da igreja Mor, mas adiamos a comemoração para o ano de 2021.

Sendo assim, gostaria de contar um pouco sobre a caminhada até a fundação desta igreja.

Há alguns anos antes da celebração dos 70 anos do Ocultamento Físico de Oyassama em 1954, o meu pai estava no colegial, e seu pai o chamou e disse: “Nessa época oportuna é que temos que plantar as sementes, senão elas não germinam”, e deu a ideia do meu pai abandonar os estudos para trabalhar.

Naquele momento, por não gostar muito de estudar, ele respondeu SIM, com uma alegria disfarçada.

O pai dele havia conseguido um emprego na fábrica de montagem de relógios, da Seiko, de seu primo, e recebeu antecipadamente o salário de um ano de trabalho, e fez a oferenda de todo seu salário para a celebração dos 70 anos do Ocultamento Físico de Oyassama.

Em 1960 a Associação dos Moços da Tenrikyo estava promovendo a divulgação no exterior, e imaginou que esta seria uma chance de concretizar um desejo que era também do seu pai.

Mas quando foi conversar com a sua mãe, todos os irmãos foram contra, e pediram para a mãe para não deixar fazer esta viagem.

Mas sua mãe, apesar do aperto no coração, disse que se fosse para fazer a divulgação dos ensinamentos no exterior poderia ir, porém com uma condição, teria que encontrar uma noiva que o acompanhasse, e fazer o curso Kente Koshu.

A predestinação é uma coisa engraçada. Na época que estava montando o livro dos 20 anos da igreja, numa foto em que encontrei do meu pai fazendo o kente koshu, estava uma pessoa do Brasil. E depois descobri que era o pai de um amigo meu. O Jorge Suzuki que mora em São Paulo, que é casado com a filha da condutora da igreja Marialva, e é fiel da Igreja Três Barras.

Ele precisava encontrar uma pessoa para casar. Mas não é assim que funciona as coisas, não é?

Certo dia, quando a família do meu pai estava comentando sobre ir ao Brasil, a irmã dele disse: “Eu tenho uma amiga da minha classe que vai para o Brasil”.

Outra predestinação. Se não fosse a divulgação para o Brasil, como seria o caminho de cada um deles?

A minha mãe e a irmã do meu pai estudavam em Tenri, em Nara. E elas moravam na província de Chiba, perto de Tokyo.

Então nas férias escolares a irmã do meu pai, convidou a minha mãe para ir passear na casa dela, que era caminho para a sua casa.

Chegando lá a mãe do meu pai disse, “Oi Michiyo, tudo bem? Tenho aqui duas passagens para ir a Tokyo. Não quer ir com o meu filho?

E a minha mãe respondeu, “eu não, nem conheço ele.” E acabou indo com a sua amiga, a irmã do meu pai.

Depois do passeio, a minha mãe voltou para a casa, quando a mãe dela perguntou, “você foi para algum lugar antes de vir para casa? E ela respondeu, “passei na casa da minha amiga, e fomos passear em Tokyo.”

Hummm, caiu na conversa... Disse a minha avó que já sabia do plano de fazerem se conhecerem...

E desta forma eles se conheceram e se casaram em 1960.

Parece que a minha mãe foi uma das melhores alunas da classe, mas teve que abandonar os estudos por causa da viagem. Num dos encontros da minha mãe com o meu pai, ela disse a ele: “Quando chegarmos ao Brasil vamos nos comunicar em inglês, tudo bem?” Mal sabia a minha mãe que o meu pai não gostava muito de estudar, e meio sem jeito ele somente abaixou a cabeça afirmativamente.

Ao chegarem no Brasil, foram morar em Bauru, a uns dez km do Dendotyo.

Ficaram por 4 anos em Bauru, e depois mudaram para Itaquera, e depois Mogi,

Em Mogi, moraram na Ponte Grande, e na Vila industrial onde depois de 9 anos de vivencia no Brasil fundaram a Casa de Divulgação Hakuryu.

Na vila industrial resolveu abrir um pequeno negócio de consertos de relógios na própria casa. Os clientes eram atendidos na janela da sala, onde havia a sua mesa para consertos. Mas como era um ponto novo, não entrava consertos de uma hora para a outra. Então começaram a rodar de bicicleta pela vizinhança perguntando se tinham relógios para consertar.

Naquele tempo os relógios eram objetos de muito valor, e entregar nas mãos de um desconhecido era algo impensável. Assim, teve a ideia de deixar a sua bicicleta como garantia e a retirava quando devolvia o relógio consertado.

A minha mãe também se esforçava fazendo a sua parte, andando de bicicleta, vendendo, de porta em porta, alguns produtos japoneses como udon, tikuwa etc.

Apesar de todo o esforço, a vida continuava difícil. Então um certo dia o meu pai, já sem muitas expectativas, pensou em voltar ao Japão. Quando comentou com a minha mãe sobre a possibilidade de irem embora, a resposta foi “Se quiser voltar, volte sozinho! Eu vou ficar!”.

Não havia como voltar com seis filhos pequenos. Isso foi uma motivação a mais para que continuassem a lutar no Brasil.

Em 1972, a mãe do meu pai, preocupada veio sozinha ao Brasil.

Até hoje, a irmã do meu pai, Kazuko, se lembra da imagem da sua mãe subindo no avião, carregando uma mala pesada com roupas para as crianças e uma máquina de regular relógios, para garantir a subsistência no Brasil.

Ao chegar no Brasil, vendo as dificuldades do filho e da família que vinha crescendo, ofereceu ajuda para a intermediar um empréstimo de um banco do Japão para compra de seu próprio negócio de vendas e consertos de relógios.

Justamente nesta época uma relojoaria estava à venda. A loja chamava-se “A Confiança" e ficava bem no centro de Mogi das Cruzes. Dá para perceber a grandiosidade de Deus em deixar tudo preparado desde o momento em que o meu avô solicitou ao meu pai, a sua dedicação em prol dos 70 anos do Ocultamento Físico de Oyassama.

Depois de pagarem toda dívida da compra, as coisas finalmente começaram a melhorar. 

Então resolveram comprar um terreno para a construção de uma igreja em Brás Cubas, dando de entrada um carro que tinham.

Depois de alguns anos, para a construção da Igreja, o meu pai convidou Toshie Sato, o avô do fiel Shinji Sato e, Kunio Sakurai, o meu sogro, para conversarem sobre a obra. Ao comentar sobre o seu desejo de construir uma Igreja, eles apoiaram a ideia e perguntaram quanto havia em caixa para iniciar as obras. Então o meu pai respondeu que não havia um tostão.  Os dois ficaram um tanto perplexos, mas sentiram a sinceridade do ideal da construção, e cooperaram de uma forma sem igual com cimentos e mãos de obra para a construção.

Na etapa da colocação dos telhados, não havia mais recursos. Após pensarem em uma solução, os pais solicitaram ao filho, Haruo, que vendesse seu fusca, no que foram prontamente atendidos e a compra dos telhados pôde ser realizada.

Para a construção do altar, necessitávamos da peroba rosa, mas não eram encontradas tão facilmente em qualquer lugar. Sendo assim, pensou-se até em ir procurar no Paraguai.

Porém, procurando em vários lugares, descobriu-se que uma madeireira na própria cidade poderia fornecer esta madeira, recebendo mais uma vez a grande providência de Deus.

A inauguração da igreja estava marcada para setembro de 1990. E o dinheiro para a inauguração já estava quase a zero.

Nesta época tínhamos um carro bem velhinho que ajudou muito para carregar os materiais para a obra.

E eu pela primeira vez entrei num consorcio de 5 anos e, na semana seguinte fui sorteado, então resolvemos vender o carro anterior para os preparativos da inauguração.

Mas como o carro estava bastante judiado, imaginávamos que não conseguiríamos muito com a venda.

Quando um amigo trouxe um interessado, esse interessado perguntou por quanto estava vendendo.

Eu não sei se o meu pai é muito esperto ou muito sem noção.

Só para vocês terem uma ideia, como o carro estava bem judiado, nós imaginávamos que se vendesse por uns 10 mil reais, no valor atual, estaria bem vendido.

Mas quando o interessado perguntou o valor, o meu pai respondeu, o valor é você que tem que falar. Então ele respondeu tipo, 15 mil está bom? E eu fiquei assustado. Então o meu pai falou, “eh”.

E quando o interessado disse que gostaria de pagar em duas vezes... se fosse eu, com certeza diria, tudo bem, está ótimo. Mas como o meu pai é muito sem noção, ou esperto, fica aqui a interpretação de cada um, ele falou assim, “Pera ai, se for em duas vezes, preciso colocar um acréscimo. E respondeu, “2 vezes de 8 mil”. E fecharam o negócio.

E utilizaram este dinheiro para a inauguração.

Após quase seis anos de construção ininterrupta a Igreja finalmente foi concluída,  no dia 15 de setembro de 1990, recebendo muitas providencias de Deus-Parens.

Solicitando que mais aniversários venham a ser comemorados, tornando este lugar no da salvação, animados, gostaria de continuar a contar com a colaboração de todos para tornarem os seus espíritos no da salvação.

Pois que, não adianta somente ficarmos pedindo a proteção ou a salvação a Deus, falando “Ai Deus, me ajuda, ai Deus me salva”.

Podem ficar esperando que nada vai acontecer, se não trabalharmos, se o nosso espírito não estiver condizente com o dele.

Tem uma frase muito boa que ouvi num filme, que fala assim: Quando pedimos alguma coisa a Deus, você acha que ele vai nos dar o que pedimos, ou vai nos dar a oportunidade de conseguirmos o que pedimos?

Se alguém pede que a família seja mais unida, acha que Deus une a família com amor e alegria ou dá a eles a oportunidade de se amarem e unirem?

Oyassama nos ensinou que: salvando os outros estará salvando a si mesmos.

Vamos trabalhar para a salvação e auxilio dos próximos.

José Katsumi Ishii

Muito obrigado.

 


quinta-feira, 13 de agosto de 2020

INFORMATIVO Nº 215 - AGOSTO DE 2020


Vamos animar o coração de muita gente nessa pandemia !!!

 

Episódio 128. Quarto de Oyassama

        

           Até 1883, Oyassama ocupava o quarto de 10 tatames, do lado oeste da Casa-Portão Centro-Sul, isto é, à esquerda de quem entra.

           Havia junto à janela desse quarto um estrado de três tatames onde ela permanecia sentada. O estrado tinha 76 centímetros de altura e a parte inferior servia como armário. Quando recebia visitas acompanhadas de crianças, retirava daí doces para distribuir-lhes.

 

Após 1883, passou a morar na Casa de Repouso, constituída de dois quartos — um de quatro tatames e outro de oito. O menor era um degrau mais alto, onde normalmente Oyassama permanecia.

Na época em que se concluiu a Casa de Repouso, todos comentaram com alegria o fato de ter construído um grande quarto para Oyassama.

 

À tarde desse dia, ela terminou de jantar, trocou as vestes e esperou serenamente a chegada do momento. Afinal, o ministro foi avisá-la de que tudo estava pronto. No quintal, os devotos que vieram recebê-la, estavam esperando enfileirados à margem da sua passagem com lanternas acesas às mãos. Entretanto, Oyassama continuou sentada ainda serenamente no estrado, dizendo somente:

           “Sim? Tudo está pronto? Vou me transferir quando chegar o momento.”


           Tudo estava preparado e as pessoas esperavam ansiosas. Mas, ela permanecia pacientemente esperando a chegada do momento. Do ponto de vista humano, podia-se pensar que tudo terminaria mais cedo caso ela se transferisse imediatamente; porém, tratava-se de Oyassama, que não desviava a atenção da vontade de Deus-Parens, mesmo diante de qualquer circunstância. Nessa sua atitude pode-se rememorar vivamente a sua imagem como Sacrário de Tsukihi.

Assim, o tempo foi passando e já eram altas horas da noite, quando ela disse à neta Tamae:

“Bem! Chegou o momento, mudemos. Vem Tama-sam.”

Em ambos os lados da sua passagem, os seguidores superlotavam o jardim ansiosos a sua espera, com as lanternas de papel acesas, nas quais estavam impressos os nomes das respectivas irmandades.

 

 

 Hoje gostaria de contar também sobre o episodio 105, “Aqui é o Local Onde se Fica Contente”

 Em meados do outono de 1882, Zensuke Uno regressou a Jiba com um grupo de sete pessoas, incluindo a esposa e os filhos. Era uma visita de agradecimento pela salvação da esposa Missa, que esteve à beira da morte por complicações pós-parto.

           Saíram de casa, às quatro horas da madrugada, atravessaram de barco o Lago Ogura, seguiram de jinriquixá e caminharam até chegarem a Jiba, mais ou menos às oito horas da noite. No dia seguinte, todos eles foram levados à presença de Oyassama sob os cuidados de Rissaburo Yamamoto. A emoção do grupo foi muito grande. A alegria de Missa, especialmente, salva de uma longa enfermidade, foi tanta que não pôde conter as lágrimas. Então, Oyassama perguntou-lhe ternamente:

“Porque chora?”

Missa, ainda soluçando, respondeu: “Senti tanta gratidão em poder me encontrar com a deusa viva que saíram lágrimas de alegria.” Assim, Oyassama disse:

“Jiba não é lugar onde se chora. Aqui é o local onde se fica contente.”

Em seguida, dirigiu as seguintes palavras a Zensuke:

“A terceira geração será como água límpida”.

Zensuke agradeceu dizendo “muito obrigado.” Diante das palavras de Oyassama, muito além do seu mérito, sentiu-se tão grato que ficou constrangido. E, deste modo, tomou a firme decisão do fundo do coração: “Que gratificante! Trabalharei para sempre em prol deste Caminho.”

 A expressão: “a terceira geração será como água límpida”, significa que se passarem a fé com toda a sinceridade, a terceira geração receberá a graça de uma maravilhosa vida.

Eu tenho um amigo que é uma pessoa bastante simples, é aposentado por invalidez e, também bastante falador.

Há pessoas que o acham um pouco diferente por falar muito. Está sempre agradecendo por tudo, e sempre me liga alegrando a minha vida também.

           Uma coisa boa nele é que consegue sempre as coisas que quer. Por exemplo, comprar carros, comprar casa, e assim vai seguindo a sua vida. Destes carros, sempre foram carros simples, e para todos os carros que ele comprou eu pedia para que fizesse a purificação.

Há dois anos, ele me perguntou qual carro seria melhor um Nissan, ou um Jeep. Na verdade não dei muita atenção, porque eu achava que era uma coisa muito acima do que ele conseguiria.

Mas com a ajuda do governo conseguiu comprar um carro com a isenção de impostos.

Quando faltavam mais alguns reais para completar a compra, a esposa tinha guardado na poupança o dinheiro que ele entregava para ela todos os meses. Então a sua esposa também que foi uma providência de Deus, foi em razão do merecimento que ele foi acumulando com o tempo.

Desde há muito tempo, de tempo em tempo, o meu amigo dizia, Kaityosan eu vou mudar para a praia. O que você acha? E eu respondia, “legal”.

E de vez em quando ele falava, Vou mudar no mês que vem. E depois falava, desfiz o negócio porque a pessoa queria me passar a perna, ou por alguma razão não havia dado certo.

No mês passado, ele veio com a mesma conversa, e começou o assunto assim: Vou me mudar para praia, e você pode fazer a purificação na nova casa?

 Eu falei assim: “No dia da mudança, você me liga

quando o caminhão já estiver quase cheio...pensando que pudesse não dar certo por alguma razão, como nas vezes anteriores” mas, no dia ele me ligou, e a mudança estava pronta para acontecer...

           Fomos em 6 pessoas no carro, mas como ele fala muito, e ia indicando caminhos diferente do GPS, os familiares diziam para ele parar de falar. Mas nada impede o seu bom humor. Lógico que as vezes algumas coisas o faz perder a calma e fica bravo, mas é uma coisa difícil de acontecer.

Eu estive conversando, e comentamos com os meus amigos sobre as coisas que ele vai conseguindo com o passar do tempo. E chegamos a conclusão que é realmente pelo seu caráter de estar sempre agradecido, com o espírito alegre e animado.

 Nós muitas vezes estamos tão acostumados com o nosso dia a dia, que tendemos a não ter gratidão pelas pequenas coisas.

Sendo assim, vamos todos nós também nos alegrar e ter gratidão pelas pequenas coisas.

O simples fato de ter o que comer, pelo fato de poder andar.

Eu ouvi no podcast do Seinenkai o seguinte de um amigo que estava fazendo o ossazuke a uma menina tetraplégica. Ela disse assim, “A única coisa que eu peço a Deus é que eu seja pelo menos paraplégica”

O Shimbashira sama III escreveu em seu livro “Indicador do Caminho”, “O espírito repleto de alegria é aquele que se anima e se contenta com tudo que vê e ouve, interpretando em tudo a benevolência divina. A vida plena de alegria e felicidade não se recebe dos outros. É um mundo, uma vida que devemos construir com as nossas próprias mãos.

José Katsumi Ishii

 

           Muito obrigado.

 


sexta-feira, 17 de julho de 2020

INFORMATIVO Nº 214 - JULHO DE 2020


Muito Obrigado pelo Drive Thru Solidário




Episódios da Vida de Oyassama 127. Tokyo, Tokyo, Nagasaki

No outono de 1883, Sassuke Uehara regressou a Jiba e foi levado à presença de Oyassama, que disse inesperadamente:
“Tokyo, Tokyo, Nagasaki.”
E ainda entregou um quimono vermelho.
Aceitando-o com todo respeito e bastante emocionado, Sassuke tomou uma firme decisão. Dias depois, fechou a casa e levando o quimono vermelho, partiu sozinho para o missionamento em Tokyo.
Sassuke morava em Osaka, mas após ouvir de Oyassama a cidade de Tokyo, vai para fazer a divulgação na capital. E se torna o primeiro condutor da Igreja-Mor Azuma.
Neste episódio Oyassama fala Tokyo e Nagasaki, na verdade Tokyo fica do lado leste, e Nagasaki fica do lado oeste de Tenri. São dois lados opostos. Creio que ele poderia escolher qualquer um deles, mas a intenção de Oyassama era de que o ensinamento difundisse a todos os 4 cantos.
Ele tinha esta convicção em Oyassama, porque há dois anos em 14 de maio de 1881, Sassuke Uehara regressou a Jiba acompanhado da irmã Ishi e do tio Sakiti e sua esposa. Por felicidade, foram apresentados a Oyassama que, muito contente, serviu pessoalmente a mistura de broto de bambu, inhame e bardana cozidos, colocando-a nos pratinhos e, serviu ainda o saquê oferendado nos cálices com desenhos de lua, sol e nuvens:
“Por favor, sirvam-se.”
Nessa ocasião, Sassuke, com trinta e poucos anos de idade, estava em pleno vigor físico.
Oyassama, após explanar sobre vários fatos, estendeu as mãos e segurou os pulsos de Sassuke, e disse:
“Tente livrar-se.”
No entanto, ele sentiu o corpo todo dormente e, apenas conseguiu dizer: “Rendo-me.”
Sua irmã Ishi recordando o fato anos depois, contou: “É impossível descrever em palavras aquela solene circunstância. Surpresa, abaixei a cabeça instintivamente.”
Sassuke, que viu o caloroso amor parental e a força de Oyassama, veio a ter uma sólida fé de dedicar-se unicamente à salvação.
 
Em 1885 vai para Tokyo, e em 1887, forma a irmandade Shinmei Tokyo. Em 1889, recebe a permissão de fundação da igreja. Retorna em 1912 aos 63 anos de idade. A esposa Sato se torna a primeira condutora da Igreja Kassaoka. Nos detalhes da explicação do Tyotyossama, está escrito que na Igreja-mor Kassaoka está guardado uma tigela com desenho de nuvem, lua e sol.
 
Hoje gostaria de falar um pouco sobre a raiva.
Mas antes gostaria de contar um episódio, o 137. Uma Palavra:
Oyassama disse a Issaburo Massui:
“Há pessoas que são boas em casa e más fora de casa. Também, há pessoas más em casa e boas fora de casa. Mas, o mal é ficar com raiva devido ao seu egoísmo. Cada palavra é importante. Com o simples controle do uso das suas palavras haverá harmonia na família.”
E ainda:
“Issaburo, você é uma pessoa muito sociável e gentil fora de casa; porém, voltando para casa e ao ver o rosto da esposa, perde fácil a paciência e briga frequentemente. Isto é o ato mais reprovável e não deve fazê-lo mais, de agora em diante.”
Massui imaginou que a esposa tivesse comentado sobre ele. Entretanto, reconsiderou que Deus via e sabia de tudo e determinou o espírito de nunca mais ficar com raiva. Então, ao voltar para casa, o que quer que a esposa dissesse, inexplicavelmente, nada mais o irritava.
 
Ainda estamos no meio da pandemia, e os familiares estão sempre juntos em suas casas.
Sabemos que a convivência dá espaço para divergências de opiniões, conflitos, discussões. Apesar da instituição “família” estar relacionada a um ambiente de amor, a raiva é uma emoção que se está bastante presente.
A família é constituída por pessoas diferentes que partilham laços afetivos e enfrentam os desafios da convivência, se não bastasse isso, precisam administrar as influências externas, como o trabalho, a escola, as amizades etc. E nós precisamos cuidar do nosso estado emocional.
A raiva é algo que não gostamos de sentir. Mas no nosso dia a dia não aprendemos a lidar com a raiva. E tendemos sempre a responsabilizar essa emoção ao outro, como se o outro tivesse culpa por eu sentir raiva.
É importante entender que nossas emoções estão ligadas as “interpretações” que damos a cada situação.
Esses dias nesta pandemia, eu estou aprendendo, e refletindo muito.
O motivo da raiva é porque nós temos uma expectativa, e o outro é um outro ser que pensa e age diferente.
Então se conseguirmos perceber e entender que o outro nos deixou com raiva porque não correspondeu às nossas expectativas, esse será uma das formas de lidar com a raiva.
Por outro lado, quando parto do princípio de que eu é que mando na minha emoção, eu penso, eu não quero sentir raiva, isso não é fácil, mas vamos aprendendo a desenvolver com o tempo, e a frequência da raiva tende a diminuir.
A raiva precisa de um espaço para ser sentida. Portanto não devemos colocar a nossa expectativa como a expectativa da outra pessoa.
Quando Issaburo fez a determinação espiritual, a forma de ver as coisas mudaram. Por isso é importante fazermos a determinação espiritual.

Existe uma fábula contada pelos índios da tribo Cherokee - O interior dos lobos.
Um velho avô Cherokee disse ao seu neto, quando este veio até ele, com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça: “Deixe-me contar uma história. Eu mesmo, algumas vezes, já senti grande ódio por aqueles que não tem qualquer arrependimento do que fazem. Mas o ódio te corrói e não fere seu inimigo. É como tomar veneno e desejar que o seu inimigo morra. Lutei com esses sentimentos muitas vezes.
Ele continuou: “é como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende quando não teve intenção de ofender. Ele só luta quando tiver que lutar e do jeito certo. Mas o outro lobo, ah! Ele está cheio de raiva. O insignificante vai colocá-lo em estado de raiva. Ele luta contra todos, o tempo todo, sem nenhuma razão. Ele não consegue pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil; por causa dessa raiva nada irá mudar. Às vezes, é difícil viver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito”.
O garoto olhou bem dentro dos olhos de seu avô e perguntou: “qual deles vence, vovô?”
O avô sorriu e respondeu baixinho: “aquele que eu alimento”
Sendo assim, vamos alimentar o lobo do amor da paciência que está dentro de nós. Porque tudo que acontece na nossa vida é de acordo com o nosso próprio espírito. Não vamos alimentar a raiva que faz parte das 8 poeiras espirituais que a Oyassama nos ensinou.
José Katsumi Ishii


Muito Obrigado pelo Drive Thru Solidário

Muito Obrigado pelo Drive Thru Solidário

Muito Obrigado pelo Drive Thru Solidário



quarta-feira, 15 de julho de 2020

INFORMATIVO Nº 213 - JUNHO DE 2020




Bom dia a todos.
Antes de iniciar a minha palestra, gostaria de contar uma antiga história de um fato ocorrido no Japão.

Certo dia, uma violenta tempestade castigava a costa do Mar do Japão. Um navio lutava contra as ondas enfurecidas. Numa praia próxima, chegavam pedidos incessantes de socorro. Esse navio podia afundar a qualquer momento. O barco de salvamento estava pronto para sair, mas faltava um remador.
Do alto de um elevado, Hamakichi, filho de pescador, um jovem remador de habilidade reconhecida observava a cena. Aflito, em meio à forte tempestade que misturava chuva e vento, ele ajoelhou-se diante de sua mãe que ali também estava: “Mãe, deixe-me ir naquele barco. Não suporto mais ficar aqui, somente observando aquele navio. Por favor, eu lhe suplico.”
Sua mãe Oyoshi podia contar com poucas pessoas desde que o marido havia desaparecido no mar há seis meses. Seu marido, embarcara num pequeno barco no verão daquele ano e, na mesma noite, fora apanhado por uma tempestade no alto-mar, e desde então não tivera notícias dele. Por isso, naquele momento, ela contava apenas com seu filho único, como seu apoio. Ao olhar a fisionomia do filho, convenceu-se de que ele tomara uma firme decisão. Por isso, Oyoshi tentou acalmar seu coração abalado e fixou o olhar para o navio que se debatia em alto-mar. “Naquele navio estão muitas pessoas. Cada uma delas deve ter uma vida à espera da sua volta. Se eu não permitir que vá agora, não poderão enviar o barco de salvamento, e os familiares dos passageiros poderão se tornar infelizes como nós.” Pensando assim, a mãe virou-se para o filho e, com voz firme, ordenou: “Hamakichi, você deve ir. Vá logo. Aconteça o que acontecer, você deverá salvar as pessoas que estão naquele navio. Não se preocupe comigo.” As lágrimas afloraram e escorreram pelo rosto de Oyoshi. Hamakichi, surpreso, ficou observando a figura da mãe que suportava a tristeza. “Hamakichi, o que está esperando? Vá logo! Vá, e salve aquelas pessoas!” Oyoshi falou ao filho como se o estivesse repreendendo. Depois, correu para dentro da casa, escondendo o rosto banhado em lágrimas na manga do quimono.
Naquela noite, Oyoshi não conseguiu pregar os olhos. Na escuridão do quarto, ficou com as lembranças do marido e a preocupação com o destino do filho. Ao amanhecer percebeu que a tempestade havia cessado. O navio havia afundado, mas, felizmente, os tripulantes e passageiros saíram ilesos graças ao notável trabalho do barco de salvamento. Chegando à praia, um após outro, foram todos acudidos. A mãe de Hamakichi, ao saber da chegada do barco, correu em direção a praia com o coração cheio de expectativa, pois lhe disseram que seu filho estava bem. A caminho ela ouviu a voz do filho: “Mamãe!” Ao voltar-se, viu um homem caminhando apoiado no ombro do filho. Ao vê-lo, Oyoshi prendeu a respiração.
Por alguns instantes não conseguia acreditar no que via. Aquele era seu marido que pensava ter perdido para sempre. Oyoshi correu em direção ao marido e agarrou seu braço. Ficou sabendo depois que, há seis meses, em alto-mar, o marido havia enfrentado uma tempestade e fora salvo por um navio estrangeiro. E, graças aos arranjos do comandante, conseguira embarcar num navio para retornar à casa. E agora, às vésperas de chegar a sua terra natal, estava enfrentando uma outra tempestade. Oyoshi, com o coração trêmulo, não conseguia parar de chorar, tentando entender o mistério que a levara ao encontro inesperado com o marido, justamente pelo fato de permitir que seu filho remasse o barco de salvamento em meio àquela tempestade.

Quando eu li esta história, me veio a mente um trecho da minha avó Kichie no livro 20 anos da igreja Tenrikyo Tsu Hakuryu. Nela está escrito assim:

A Associação dos Moços estava recrutando pessoas para a imigração ao Brasil, Masaru imaginando ser esta a chance de concretizar o seu desejo, decidiu integrar-se a este grupo. Quando foi comunicar a sua vontade a sua mãe, todos os irmãos foram contra, e suplicaram à mãe para que não lhe permitisse fazer a viagem. Mas sua mãe Kichie, apesar do aperto no coração, disse que se fosse para fazer a divulgação dos ensinamentos de Deus-Parens no exterior poderia ir.
Masaru partiu do porto de Yokohama, aos 23 anos, com o coração bastante animado. Sua mãe despediu-se dele com sorriso no rosto e não derrubou uma lágrima sequer. Não poderia demonstrar tristeza, pois seu filho estaria realizando o grande sonho do primeiro condutor. Viu o navio partir e ali permaneceu por horas, sempre sorrindo, até não avistar mais.

Este fato quem me contou foi o condutor da igreja Inssen. Ele me contou que estava no porto de Yokohama na despedida. Mas fico imaginando que realmente é necessário existir uma grande força do desejo de salvação para que se possa fazer isto. É um momento de esquecer-se de si para a salvação dos outros.
No livro dos 20 anos não está escrito que a Kichie: “Naquela noite, não conseguiu pregar os olhos. Na escuridão do quarto, ficou com as lembranças e a preocupação com o destino do filho.” Isto porque não foi feita nenhuma entrevista ou perguntado a ela. Mas com certeza isso deve ter acontecido, e me vem a minha mente esta imagem de uma mãe bastante preocupada com o destino do filho.

Mudando um pouco de assunto, o que será que mudou com a chegado do corona vírus?
Aconteceu uma coisa muito boa. Nós estamos mais tempo com a família, e isso é muito bom, pelo menos deveria ser uma coisa muito boa.
É muito gratificante estar com os membros da família.
Mas quando estamos mais tempo com a família, também existe mais tempo para acontecerem os atritos entre as pessoas. Existem momentos que ficamos chateados, bravos, com a conduta do outro.
Nesta época do corona virus, no mundo todo ouço falar que o número de casos de divórcio aumentaram consideravelmente. Espero que entre vocês isto não esteja acontecendo.
Numa palestra o condutor de uma igreja Mor disse assim: “Estando 24 horas junto a minha esposa, se eu não fosse conhecedor dos ensinamentos da Tenrikyo, talvez eu tivesse me separado da minha esposa. No ensinamento é dito que os membros da família são os mais importantes empréstimos de Deus concedido a nós. E não é uma boa conduta ficar reclamando de uma coisa que tomamos emprestado. Também nos e ensinado que tudo é de acordo com o nosso próprio espirito que acontecem as coisas.”

Quando não conhecemos as regras, ou seja os ensinamentos de Deus, podemos simplesmente imaginar que não combinamos com a pessoa. Mas as pessoas que estão a nossa volta, são todas pessoas que Deus colocou para a evolução de ambas as partes.
A minha mãe sempre dizia, para uma flor vem uma borboleta, e para um cocô vem uma mosca varejeira.
Quando sentimos que a esposa ou o companheiro tem algum defeito, é porque nós também temos este defeito.
Isso é a predestinação.  Se não soubermos desta regra acabamos não sabendo como resolver.
Quando entendemos os ensinamentos, podemos refletir de uma forma que procuramos a causa dentro do nosso próprio espirito. Se esta regra estiver bem firmado no nosso coração, com certeza todas as reflexões serão feitas da melhor forma possível e não teremos mais que nos preocupar com os relacionamentos com as pessoas que estão a nossa volta.

E com o corona creio que o meu espirito também evoluiu um pouco.
Outro dia acabei gritando com o meu filho. E sinto que isso foi uma falta muito grave da minha parte. Nós acabamos ficando bravos ou gritando porque pensamos que o filho é de nossa posse. Mas estamos errados. É um empréstimo de Deus.
Depois disso, refleti bastante e pedi desculpas a ele, e prometi que não faria mais aquilo.

Depois que tudo isso passar, creio que haverá um mundo pré corona e um mundo pós corona. Certo ou errado, bom ou mal, as coisas irão mudando.
Logo no inicio da pandemia havia um aplicativo como se você fosse estivesse indo a um médico e respondesse a algumas perguntas, e dela saia um resultado comentando se você estava com suspeita de covid ou não. Daqui a alguns anos, muito provavelmente pode ser que as consultas sejam online com o médico fazendo algumas perguntas e te receitasse um remédio que seria enviado pelo correio. E nem precisaríamos mais ir a um consultório. Bom ou mal, a mudança ocorrerá.
A igreja também deve sofrer mudanças, talvez haja pessoas que pensem, ueh eu não fui a igreja durante 3 meses mas nada mudou, e pode ser que haja pessoas que até se sentiram que foi melhor assim, pois que teriam mais tempo para fazer outras coisas.
Ocorrerá mudanças, mas será que o certo seria ficar esperando por estas mudanças?
Não podemos ficar esperando o que será o certo ou errado. Vamos nos movimentar, precisamos fazer alguma coisa, foi por esse motivo também que foi colocado no grupo da igreja a ideia das fotos, através deste simples trabalho, conhecer um pouco dos ensinamentos de Deus, e também estamos programando um sukiyaki para o dia 20 deste mês, e gostaria de contar com o apoio de todos vocês. E também o AJT está solicitando doações de alimentos, máscaras e materiais de higiene para serem distribuídos para as pessoas necessitadas.

Ocorrerá mudanças, mas o que não vai mudar mesmo que passem milhares de anos, será a vida modelo de Oyassama. Porque foi um modelo que Deus através da Oyassama nos deixou para que todos os homens deste mundo sejam felizes, ajudando uns aos outros, e salvando uns aos outros.

Gostaria de solicitar a dedicação de todos no sentido de transmitir através de suas ações os ensinamentos, pois creio que seria injustificável, deixar morrer na praia o grande coração da senhora Kichie, ao permitir que seu querido filho se afastasse para a salvação de todo o mundo.
José Katsumi Ishii
Muito obrigado.