A IGREJA

R. Jose Virgilio da Silva, 392 Vila Jundiai - Mogi das Cruzes - SP

quinta-feira, 9 de abril de 2020

INFORMATIVO Nº 211 - ABRIL DE 2020




A Pandemia e o nosso coração.
A doença contagiosa que mais influenciou a história da Tenrikyo foi a varíola. A varíola durante várias gerações espalhou-se pelo mundo, matando inúmeras vidas.
Quando Oyassama estava com 31 anos de idade, tomou sob seus cuidados uma criança que veio a contagiar-se de varíola, que mais tarde se tornou varíola negra. Oyassama solicitou a sua salvação para os deuses e ele foi salvo milagrosamente.

Nos Hinos Sagrados, em 1867, no hino V, tem-se:
Este é o local da salvação maravilhosa
onde concedo a graça do parto e da varíola.

Também, tem-se na Escritura Divina (Ofudessaki):
O que pensam sobre esta salvação?
É o preparo do amuleto que previne da varíola.  VIII-31

O que pensam ser esta salvação?
Ensino o Serviço que previne da varíola.   VII-98

Na vida-modelo, Oyassama começou a conceder o amuleto para a prevenção da varíola. Ensinou o Serviço do Kanrodai, e em seguida, o Serviço do Parto e o Serviço da Varíola.
Além do mais, na Escritura Divina, está esclarecida a forma de como se proteger da varíola.
Como quer que reflitam, é lamentável
por não terem o espírito de salvar os outros. XII-90

Doravante, é o pedido de Tsukihi;
que todos reformem firmemente o espírito. XII-91

Se indagarem como deve ser este espírito:
somente o desejo único de salvar o mundo. XII-92

Doravante, se todos do mundo, igualmente,
se salvarem mutuamente em todas as coisas,  XII-93

Saibam que Tsukihi aceitará esse espírito
e fará toda e qualquer salvação. XII-94

Quanto às doenças contagiosas na Escritura Divina, se fala também sobre a cólera.

Em 1879, quando a Oyassama estava com 81 anos, escreveu na Escritura Divina o seguinte verso, quando morreram mais de 105 mil pessoas num surto de cólera no Japão.
Aquilo que o mundo chama de cólera,
é um aviso do pesar de Tsukihi. XIV-22

No mundo, acontece o mesmo com todas as pessoas:
têm o espírito que só desanima. XIV-23

Doravante, reformando firmemente o espírito,
tornem-no repleto de alegria. XIV-24

Tsukihi criou os seres humanos
por desejar ver o viver alegre e feliz. XIV-25

A sociedade estava agitada dizendo ser epidemia de cólera. Todos tinham uma grande preocupação e um medo muito grande pelo fato dessa doença ser muito contagiosa e fatal. Porém através da epidemia, Deus-Parens nos faz entender o quanto a sua impaciência já está acumulada.
Sem conhecermos a profunda intenção de Deus-Parens estamos apenas acumulando poeiras no espírito, sem alegria. Sendo assim, todos devemos reformar firmemente o espírito, animar e viver repletos de alegria.

O primeiro Shimbashira passou por inúmeros nós, viveu numa época em que a Tenrikyo não era uma religião oficializada pelo governo, sendo perseguidos pelas autoridades, pelos monges, etc. E viveu desejando que o Serviço Sagrado pudesse ser realizado sem nenhum contratempo, mas as autoridades sempre estavam prontos para levarem a Oyassama presa.
Depois de muitas reflexões e solicitações de Indicações Divinas, fez uma firme determinação falando: “Que fiquem para executar o Serviço somente aqueles com o espírito decidido a suportar qualquer intervenção policial e disposto a sacrificar a própria vida ao desempenhá-lo”.
No quinto ano do ocultamento físico de Oyassama, ainda teve a cerimônia cancelada pelas autoridades, o que deve ter sido de uma dor incalculável.
Somente depois de muito esforço conseguiu oficializar a Igreja em Tokyo. Mas Tokyo não estava de acordo com a razão de Deus.
E passou por mais uma centena de caminhos de dificuldades.

O Segundo Shimbashira viveu numa época em que muitos (inclusive as autoridades) desejavam extinguir a Tenrikyo. A Tenrikyo crescia naquela época “Como o fogo que se propaga no campo seco” (título do capitulo I do livro “A caminhada de cem anos da Tenrikyo”). Sendo que, se o governo não intervisse, todo o Japão se tornaria membro da Tenrikyo (e isso era uma preocupação para o governo que tinha como a religião oficial o Xintoismo).
Essa época anterior a segunda guerra mundial, era um período em que o Ministério da Educação, através do departamento de entidades religiosas, fiscalizava o conteúdo doutrinário e a organização interna de todos os grupos religiosos, para averiguar se estavam de acordo com a lei. E receberam a informação de que havia a necessidade de mudar a parte doutrinária que tinha como fundamento o “Registro do Mar de lama (razão da origem - a história da criação dos homens)” e uma parte da solenidade.
Nesta época a autoridade máxima era o imperador, cuja figura era considerada divina. Isso porque acreditavam que os Imperadores eram descendentes da deusa do sol Amaterassu.
Os Kamikazes (algo como "vento divino"), era o nome dado aos pilotos de aviões japoneses que, carregando explosivos, tinham a missão de realizar ataques suicidas contra navios inimigos gritando “Tenno Heika banzai” A palavra é junção de “ban” (“dez mil”) e “zai” (anos), e é utilizada para desejar longevidade a quem é endereçada, que significa algo como “Viva o Imperador ou Longa vida ao Imperador”. Apesar de termos notícias de que muitos na realidade no momento da morte gritavam “Mamãe”. Sentimos o quanto a mãe (Oyassama) é importante para nos oferecer carinho e tranquilidade.
Como a política governamental estava em torno da sua divindade, os ensinamentos da Tenrikyo sobre a criação original dos homens não estava de acordo com a lei.
Sendo assim, o ministério proibiu a execução do Serviço de Kagura (Serviço das máscaras em Jiba) e a Dança das mãos dos Hinos Sagrados, alegando que o Hino Yorozuyo continha preceitos fundamentais da razão da origem, e que o nome Tenri-O-no-Mikoto não constava no antigo registro histórico-literário japonês.  E proibiu também os hinos III e o hino V, que falava sobre a Jiba original, origem do mundo, Deus original, Deus verdadeiro, obrigando que fosse escrito de outra maneira. (como poderiam escrever de outra maneira, uma coisa que foi escrita por Deus?). Então foi publicado o livro dos hinos sem estes três hinos, e desde então o serviço sagrado foi executado sem estes hinos, até setembro de 1945.
O segundo Shimbashira tinha o desejo de publicar a Escritura Divina, mas não podiam publicar porque Shinnosuke (o primeiro Shimbashira) quando foi levado à polícia, teve que dizer que a Escritura Divina fora queimada pelo pessoal da residência porque assim o guarda havia ordenado. E isso também era um grande pesar para ele.
A política nacional Xintoísta durou até o final da segunda guerra mundial, em 1945. Até o término da guerra, o segundo Shimbashira, assim, como os demais mestres da época, passaram por inúmeras dificuldades, sempre com intervenções policiais, e das autoridades. Com o fim da guerra, as pessoas asseguraram o direito de ter a liberdade de professar qualquer ensinamento. 

E nós também somos livres para professar livremente os ensinamentos da Tenrikyo sem nenhuma intervenção. Fazemos o que desejamos, portanto devemos sentir gratidão por tudo isso, pensando que foi graças as dificuldades que passaram os mestres anteriores, é que temos o dia de hoje.

Deus-Parens está nos mostrando esta pandemia, onde as autoridades solicitam a execução do Serviço Sagrado com as portas fechadas, e também de todas as outras atividades para que nós possamos fazer uma profunda reflexão.

Em 1899, quando houve o surto da peste no Japão, pela primeira vez, o governo estabeleceu o adiamento da Grande Cerimônia de Outubro, com o intuito de impedir a propagação da doença. Nesse momento, ao consultar a Indicação Divina através de Iburi Izo, foi permitido o adiamento da cerimônia, porém, Deus advertiu que aceitaria somente o espírito sincero de todos. Mesmo que realizassem o Serviço perfeitamente, nada adiantaria se fizessem com o espírito egocêntrico.

Muitas vezes ficamos desanimados vendo as notícias do dia a dia, mas como seguidor do Caminho, gostaria de fazer uma reflexão sobre a intenção de Deus-Parens.

Sem nos deixar levar pela apreensão da sociedade e pela preocupação das pessoas, é de se desejar que cada um direcione o espírito a Deus.

Para recebermos a graça desse grande nó, é muito importante que o espírito de todos os seguidores do Caminho estejam unidos, empenhados em corresponder ao desejo de Deus-Parens, que é a dedicação sincera à salvação.

Textos do Jornal Tenri Jiho da Sede, adaptado para o informativo da Igreja Tsu Hakuryu.