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| Depoimento da Fiel Hiroe Nakamura |
Bom dia a todos. Hoje recebi um pedido para que eu fizesse uma palestra, e gostaria de solicitar a atenção por alguns minutos.
Primeiramente gostaria de falar sobre os meus 140 anos do ocultamento físico de Oyassama.
Em janeio deste ano, graças a Deus, eu também pude participar desta celebração. Sempre antes dos decenários, existe o período de 3 anos, mil dias que é como se fosse uma preparação para esta celebração. E a igreja, o Dendotyo solicita para que façamos uma determinação espiritual para que possamos contentar Deus-Parens e Oyassama. E nós sempre vínhamos fazendo quando a gente era mais nova, quando a gente era solteira, minha mãe sempre falava, “nós temos que fazer uma determinação”. E eu pensei, o que vou fazer de determinação espiritual? Na verdade, a gente quer fazer o que é mais fácil para a gente, não é? Algo que não dê muito trabalho. No meu caso, não é todo mundo.
Então acho que eu vou determinar que eu vou fazer a reverência todos os meses em Bauru, na Sede missionária. De janeiro a dezembro, todos os meses eu vou fazer a reverência em Bauru.
Aí começou o primeiro ano dos 3 anos, mil dias, e eu não fui, quer dizer, fui nos meses que a gente costuma ir, tipo no encontro da Associação Feminina, nas Grandes Cerimônias, nos meses que são mais comuns que a gente costuma ir. Aí chegou no segundo ano e, a mesma coisa. Na verdade, não estava cumprindo nada da determinação que eu tinha feito. Aí em meados do segundo ano, encontrei uma amiga que fazia tempo que não encontrava, desde a época do Shuyokai. Quando a gente tinha uns 17 anos. A gente trocou muitas ideias, do que que cada um fez da vida e tal, e ela falou muito sobre essa parte espiritual, que ela fez vários cursos, tipo 3 vezes o Kente koshu. E não sei se é verdade, mas ela falou assim, que a cada ciclo de 10 anos, existe uma mudança muito grande na vida da gente. Que às vezes a gente não percebe, por exemplo um casamento, a escola, a formatura, a perda de um ente querido, um novo emprego. Que existe esses ciclos dentro da vida que, na verdade, esses ciclos existem para a gente se reformular. De repente eu perco o emprego, é um sofrimento, é um problema na nossa vida. Só que é um passo para a gente sempre subir de patamar. E você bate nessa parede, chamado problema. Só que aí você não encontra a solução neste lugar, porque a solução está na parte de cima. Então você tem que subir aquele degrau. E subir esse degrau é crescer um pouco. Então existem esses ciclos na nossa vida, que ela disse que é a cada 10 anos. E eu falei, “eu fiz uma determinação e até agora nem comecei”. E em vários lugares, mesmo no Dendotyo, ouvindo as palestras e tal, sempre ouvia que nunca era tarde para começar. A gente tem mais um ano, a gente tem mais 6 meses. Então eu disse para mim, nesse um ano eu vou cumprir. E comecei a ir para a Sede todo o mês. As pessoas até me perguntavam, “o que está fazendo aqui do mês?”. Eu estou vindo fazer a reverência, respondia. E foi assim, e nesse período de um ano que eu falei que ia me dedicar, muitas coisas eu acho que se esclareceram para mim também. Inclusive teve um parente que estava com câncer, e tive que ajudar a cuidar, a minha sogra teve uns problemas nesse período. E acho que me fizeram ver muitas coisas que vou falar um pouquinho mais para a frente sobre esse problema do câncer.
Mas aí, passou esse um ano e eu já tinha falado assim, “um dia eu quero fazer a reverência na celebração do decenário”, porque a data da celebração dos 140 anos do ocultamento físico de Oyassama é no dia 26 de janeiro. E sempre nos decenários, a gente regressava em julho, que era acompanhando os filhos para o Regresso das Crianças a Jiba. E agora com os meus filhos já crescidos, decidi que gostaria de regressar em janeiro.
Então, eu perguntei para o meu pai que já é idoso, se gostaria de regressar, que se fosse, eu o acompanharia. Ele respondeu que sim, mas depois a minha mãe também começou a falar que também gostaria de regressar. Falei que não dava, que era impossível, que não tinha como ela ir.
Depois de alguns dias, o meu pai falou que ela está insistindo muito e que está irredutível. Então já que é assim, vamos fazer uma reunião, porque se alguém for comigo dá para pensar. Então o Mitiharu se habilitou a regressar junto. Nós sabíamos que ia ser um trabalho difícil, porque é cadeirante, como que vai no banheiro, numa viagem de 24 horas? No banheiro, ela vai toda hora. Aí montamos todo um esquema e conseguimos regressar, graças a Deus. Uma vez que a minha mãe fez a determinação, tinha que fazer acontecer, tinha que regressar.
Chegando lá, muitas pessoas vieram cumprimentar, e ela parecia uma celebridade. As pessoas falavam “que bom que você veio, vamos tirar uma foto. Nossa! Faz tantos anos que eu não te vejo”. Lá encontrou com os amigos, todos os netos, que na verdade nem esperava que fosse encontrar mais uma vez. Aí eu falei assim, “nossa! Que bom, que bom que a gente levou ela. Acho que a virtude que ela possui faz as coisas acontecerem. E a viagem foi assim, super tranquila e participamos de todos os eventos. E só no finalzinho o meu pai começou a passar mal, uns dois dias antes de ir embora, e o pessoal falou assim, “acho melhor levar no médico”. Mas agora, 2 dias antes de ir embora, acho que não vamos conseguir ir embora. E aí? Então vamos pedir a Deus, que nada aconteça, e eu perguntei ao meu pai, “mas você está bem? Ele falou que estava bem, e que não queria ir ao médico. E viajamos assim mesmo, e quando faltavam apenas uma hora para chegar no Brasil, dentro do avião a minha mãe começou a passar mal. Falei, “Ai meu Deus do céu. Será que eu chamo a comissária, será que não, se chamar a comissária aí que nós não vamos mais embora do aeroporto. Então deitamos ela ali no banco, e fiz o Sazuke dentro do avião. Faltando uma hora para pousar. Eu acho assim, que Deus quis mostrar que Ele estava nos protegendo a todo o momento. Foi só no final, para que a gente entendesse que não é do jeito que a gente quer, que tudo é fácil. Na verdade, existe uma grande proteção.
E voltando, fazendo os exames descobriu-se que o meu pai estava com água no pulmão. Se tivesse ido no médico, realmente o médico não ia deixar a gente ir embora. Foi algo assim, a gente volta, reflete sobre tudo isso e vê que as coisas não são do jeito que a gente quer. Existe toda uma proteção de Deus.
Nessa viagem encontramos um senhor que tinha vindo ao Brasil há uns 40 anos. Na comemoração dos 30 ou 40 anos do Dendotyo, quando ele tinha uns trinta e poucos anos. Hoje ele está com uns 70 e poucos anos. Ele falou que queria pagar um almoço para os meus pais, queria de qualquer jeito agradecer por aquela vez que ele veio há tantos anos atrás. Então ele levou todo mundo pra almoçar, eu fui junto também, e ele falou assim, “quand fui ao Brasil foi a melhor época, que ficou na minha lembrança que eu não esqueço até hoje, que as lembranças que a gente proporciona às pessoas é esse acolhimento”. Ele disse que se sentiu muito acolhido, muito bem recebido, e foi uma experiência que nunca, talvez tivesse sentido se ele não tivesse vindo. E eu pensei, realmente acho que essas experiências que a gente proporciona às pessoas é muito importante. Que, inclusive ontem, a criançada que treinaram para o concurso da Banda, vinham cedo e treinavam na rua, teve nos anos anteriores que a vizinhança reclamava, “pôxa nos domingos as 9 horas da manhã vocês ficam fazendo barulho aqui?” E esse ano eles fizeram um presentinho para toda a vizinhança. Para agradecer pela paciência.
E esse sentimento, essa preocupação, esse olhar, eu achei assim muito bonito. Para as crianças que fizeram esse tipo de atividade, acho que é um modo de ensinar este novo esse olhar. De se preocupar com o outro. Assim, tudo isso que a gente vem fazendo, às vezes parece que não, mas daqui a 30, 40 anos, quem sabe alguém vai falar, “nossa! aquela época, isso ficou para mim, no meu coração.
E falando sobre Sazuke, eu tenho feito para um parente, essa pessoa, ela era um pouco assim amargurada. Tudo que os outros faziam ela guardava uma certa mágoa dentro dela. E eu não sei se isso foi acumulando, acumulando e causando esse câncer que ela teve. Aí esses dias conversando com uma amiga que é da Tenrikyo, ela estava comentando que lá na empresa dela na firma, tem uma pessoa que veio do Japão trabalhar e ela descobriu que estava com câncer. Mas na verdade ela acha que teve um gatilho, pois teve uma época que ela estava muito depressiva, estava muito triste porque aconteceram certas coisas. E ela comentou que a mãe dela também faleceu de câncer há pouco tempo, que houve um gatilho que deu uma tristeza nela de algo que tinha acontecido e não se recuperou mais. Aí eu fiquei pensando na relação entre essas doenças e esses gatilhos, quando a gente fala sobre salvação, divulgação, por exemplo, a minha mãe saía para fazer a salvação e fazia o Sazuke, só que as pessoas não melhoravam fisicamente. Eu falei assim, “eu não tinha coragem, pois, vai que eu faço o Sazuke, e a pessoa não melhora”. Ela vai falar assim, “não está adiantando nada”. Mesmo assim, minha mãe ia continuava, a pessoa falecia. E eu falei assim, “nossa , acho que os familiares devem ficar bravos. Vão falar que não adiantou nada, que não salvou. Mas era o contrário, elas vinham e agradeciam, falando que “ela foi tranquila, toda aquela mágoa que ela tinha se foi”. Daí eu pensei no verso 10 do hino 10 que fala “a origem das doenças está no espírito". Quer dizer que, antes da gente adoecer, falando que está com problema no rim, que está com um problema no estômago, a doença já está no espírito, o espírito está doente. Depois ele se reflete no corpo. Então, quando a gente ministra o Sazuke, eu comecei a entender que a gente não salva o corpo físico. A gente salva o espírito. Aquele rancor por exemplo, isso que a gente quer que a pessoa remova, que seria a cura da doença que é do espírito. Então essa relação, hoje, a gente fala muito de academia, hoje tem academia em tudo quanto é canto. Por que? A academia serve para quê? Até há uns 10 a 20 anos não tinha tanta academia assim. Quer dizer, o ser humano entendeu que o corpo, a gente precisa exercitar para ficar bem. Só que o ser humano não é só fisico, ele é corpo alma e mente.
A gente já entendeu que o físico é importante, que precisa cuidar, que precisa exercitar para futuramente a gente ter um corpo mais saudável. Agora, e a mente? A mente a gente fala também, que precisa fazer meditação. Fazer exercício para não ter alzheimer, fazer palavras cruzadas, sudoku, que essa cabeça vai ativar. Então você sabe que você tem que exercitar a mente. E o espírito? Que tipo de exercício a gente tem que fazer? O corpo a gente exercita, tem a higiene corporal que é tomar banho, escovar os dentes. Então a gente faz exercício físico, tem a higiene que faz parte da saúde. E no espírito é a mesma coisa. Eu acho que existe essa parte do exercício e também a higiene espiritual. Hoje a gente está aqui, a maioria que está aqui, sabe que fazendo o Otsutome (Serviço Sagrado) e tal, que essa é a higiene espiritual. Talvez a gente nem esteja tão concentrado assim. Mas mesmo escovando os dentes, a gente nem pensa se estou escovando direito, e tá bom. O Serviço Sagrado também, não sei se eu estou errada, mas esse já é o meu pensamento, que tudo bem, que você às vezes está concentrado em outra coisa, e começa a fazer o Serviço Sagrado, mas está fazendo o Serviço. Mas eu acho que o importante é fazer, pois é como se estivesse fazendo a higiene espiritual de alguma forma, melhor do que não fazer. Tipo, hoje eu não vou tomar banho, hoje não vou fazer o Serviço Sagrado. Existe isso. Mas assim, só pelo fato de você saber que você precisa fazer, porque essa higiene é o que? No Serviço Sagrado nós falamos, “Limpando os males, espanando as poeiras”, pois no dia a dia a gente acumula poeiras. Então essa limpeza acho que é muito importante. E depois o exercício seria o quê? A gente que está vindo aqui, de pouco a pouco , a gente sempre está ouvindo algumas palavras de reflexão, esse mínimo de reflexão do que a gente ouve e aprende, temos que tentar executar no dia a dia. Ou se não, nem precisa uma reflexão, tipo, Ah, caiu um papel, vou ajudar a pegar. O Pedestre está esperando, vou parar o carro, e deixar passar. E você se sente bem, não é? Então, são pequenas coisas que, na verdade, às vezes, a gente já está fazendo no dia a dia. Mas é um exercício, sempre pensando no próximo.
Hoje as academias físicas têm se desenvolvido, eu acredito, que se a gente começar a entender que é necessário esse exercício espiritual, esse exercício mental. E ligando ao que o Massato falou sobre autismo, que há 10, 20 anos, ninguém falava sobre isso, hoje está sendo mais conhecido. Antigamente, há séculos, todos os canhotos eram vistos como bruxos e hoje é a coisa mais normal do mundo. Eu acho que o mundo tem evoluído. O mundo tem evoluído e hoje as academias estão aí. Então pode ser que a gente consiga criar essa academia do espírito e começando a criar esse olhar. Essa academia, eu acho que vai criar um mundo que a Akie comentou na palestra do mês passado, que é esse mundo de pensar mais no outro, o amor para o próximo.
Então acho que a gente que está aqui está no caminho certo. Então vamos continuar exercitando o corpo, a alma e a mente.
E eu termino por aqui.
Obrigada
